Ando em um período muito nostálgico. Sentindo saudade de tempos passados. De pessoas distantes. E de momentos que nunca vivi.
Se eu pudesse, voltava no tempo. E ficava por ali, no primeiro ano de faculdade, fazendo tudo que fiz de novo. Só que aproveitando bem mais. Indo todo fim de semana para as quebradas de Brasília para ouvir o violão e cantar bem desafinado, embalada por uma bela garrafa de vinho (dos mais baratos do supermercado).
Se eu pudesse, voltava no tempo. E ficava por ali, pelo litoral espanhol, fazendo tudo que fiz de novo. Só que aproveitando bem mais. Sentindo a textura dos prédios e das calçadas, olhando bem para o rosto das pessoas, não me importando com a roupa que estava ou com a falta de esmalte nas unhas. Vivendo, vivendo, vivendo...
Se eu pudesse, voltava no tempo. E ficava por ali, debaixo do bloco, fazendo tudo que fiz de novo. Apaixonando-me pelos meninos da quadra, conversando com minha melhor amiga, inventando planos mirabolantes para conquistar meus amores e despistar as mães de plantão.
Se eu pudesse, voltava no tempo. E ficava por ali, em Viver, pueblo perto de Barcelona, fazendo tudo que fiz de novo. Despertando meus amigos com um sonoro “Buenos dias, flores del dia”, conversando com meu amigo querido antes irmos dormir, fazendo amizade com pássaros, gravando o som da chuva, comendo a comida do Adri, pensando que a vida era só e somente aquilo. E me satisfazendo com essa sensação.
Se eu pudesse, voltava lá pra casa da Má. E fumava chicha e comia chucherías. Só a gente entende como essa combinação funciona tão bem. Ou então, iria lá para beira do mar e veria novamente o sol nascer, contemplando toda essa beleza, limpando a alma com a água salgada e sentindo uma felicidade imensa, simplesmente, por ter a oportunidade de viver aquilo.
Se eu pudesse, voltava para os tempos de Tequila Rock, de saídas escondidas, de showzinhos na Academia de Tênis, de festas até o sol raiar em Camboriú, de curtição na Praia Brava, de amores eternos e impossíveis, de cartinhas nas festas juninas, de primeiros beijos, de frio na barriga, de ingenuidade e menos responsabilidade.
Se eu pudesse, eu voltava no tempo. E faria tudo igual. Mas diferente. Entende?
6 comentários:
êta melancolia arretada! sabe o que eu acho: a gente sente falta, na verdade, da época em que tinha menos grana, menos independência, mas agia mais, seguia mais os impulsos. "don't think, just type", como diria nosso amigo bukowski (troque a palavra 'type' por 'act' ou qualquer outra de ação ahahah)
Que texto bonito!
Com certeza sua juventude é saudosa. Uma menina que fez tudo, deve-se ter muito o que agradecer.
Si, amiga. Entiendo ;)
Que lindo, amiga! Acabei me identificando com muita coisa, hehehehe. Saudades!
Beijos,
Mari
Alessandra, seus textos geralmente sao bem pessoais, mas sempre na medida certa. Eh facil se indentificar com a sua maneira de escrever, principalmente para quem tem historia de vida parecida.
Nao acredito em apontar uma causa unica para nada, e o meu passar dos 30 anos tem me deixado mais cinico e cetico, contribuindo para a confusao e sensacao de frustracao pela perda de controle que vem com o passar do tempo.
Tive varias experiencias de vida marcantes fora do nosso quadradinho, e o saudosismo volta sempre. Meu remedio eh continuar olhando pra frente, inventando novas maneiras de sentir a mesma coisa. Facil falar, mas abandonar a esperanca eh mais dificil.
Me faz pensar que provavelmente nao sentirei o mesmo prazer que sentia antes, pois estou indo deliberadamente atras de algo cujo valor vem do seu carater espontaneo. Como foi dito no comentario acima, era bom ter menos responsabilidade, ao que eu adiciono o valor de ser feliz simplesmente por se estar feliz. Nem sei se isso faz sentido.
Enfim, seu texto reflete o que muitos sentem mas nao sabem expressar. Voce sabe expressar, sabe identificar o problema. Esse é o primeiro passo para resolve-lo. Boa sorte (mas espero que a resolucao demore para que voce continue escrevendo!)
Entendo, amiga...E se entendo...
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