16 de fevereiro de 2011

Mar sem fim

Sabe a sensação de uma pessoa se afogando, afundando a contragosto, fazendo um esforço imenso para voltar à superfície, lutando por uma ínfima quantidade de ar, debatendo-se e sendo traída por suas próprias forças? É assim que ando me sentindo.

Apesar de amar o mar, aqui, nessa metáfora tão pouco criativa, ele é meu inimigo. E é imenso, enorme, muito maior que eu. Ele também tem mais força. Como lutar contra alguém dessa magnitude? Os breves sopros de ar são minhas fracassadas tentativas de emergir ao meu mundo ideal, aquele , dos meus sonhos. Os meus sonhos talvez sejam as nuvens, lá em cima, bem longe de mim, mas bem presentes. Entre mim e elas, uma imensidão azul de distância. O cenário é lindo, mas é quase intransponível. E desesperador.

O mar me afoga. A rotina me mata. Os mesmos assuntos me tiram as forças. A mediocridade me desanima. A falsidade me golpeia. O ego é como uma corrente gelada que dificulta ainda mais minhas tentativas de respirar.

E lá em cima, minhas nuvens. Às vezes, elas se irritam e choram por mim. Por essa distância que há entre a gente, que eu mesma impus, não sei como, e que também não sei como desfazer. Elas querem ser reais, mas dependem de mim para isso e, por isso, não conseguem e, por isso, ficam vagando no ar. Às vezes, uma desiste e vai embora. Mas as insistentes ficam, numa mescla de instinto de sobrevivência e um pouco de pena de mim, esse eu, que se afoga.

Eu não sei como fazer. E aí, eu desisto. E quando desisto, afundo um pouquinho mais. Decido pela morte e tento me convencer que esse é o melhor caminho. Fico flutuando na sensação anestésica do deixar pra lá. Paro de lutar contra forças invisíveis tão brutais. Fecho os olhos e deixo que o destino faça o seu trabalho. Mas aí, uma gotinha cai lá do céu e cria um padrão circular na água. Consigo sentir a vibração, abro os olhos e vejo mais uma gotinha. Aquilo me dá ânimo e volto a lutar por mim. Por minhas nuvens. Chego à superfície e fico sem ar, mais uma vez...

1 comentários:

ninakitsch disse...

achei bem bonito o que vc escreveu. consegui até visualizar um desenho animado, daqueles bem poéticos, sobre isso.

ultimamente, tenho me sentido meio tragada pelo mar. eu lá no meio do redemoinho, sendo puxada para baixo. e totalmente sem forças para nadar contra. deixo levar... quem sabe me leva pra algum outro lugar?